O que tem em comum numa garrafa de óleo, num chiclete de caixinha e num pote de fermento?

O símbolo de trangênico que deveria constar sobre toda embalagem de produtos com esta característica.

Os trangênicos são seres vivos que foram sujeitos a técnicas de engenharia genética. Esta tecnologia permite que os genes sejam extraídos de um organismo, alterados, agregados de novas formas e depois injetados num outro organismo, que vai adquirir novas características e transmiti-las a toda a sua descendência. O fato é que até hoje não se sabe ao certo o impacto dessas transmutações genéticas sobre a vida de plantas, solos e animais incluindo o ser humano.

Trangênicos e agrotóxicos andam de mãos dadas, pois estes são utilizados sob o pretexto de combater predadores que ao resistirem aos ataques geram a sofisticação das técnicas e usos de pesticidas.

936 mil toneladas de herbicidas, inseticidas e fungicidas foram usados na safra brasileira de 2010/2011, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão vinculado ao Ministério da Saúde e responsável pela liberação do uso comercial de agrotóxicos. 

Na última década, o Brasil ultrapassou os Estados Unidos e assumiu a liderança no uso de agrotóxicos no planeta. Atualmente é o país que mais usa veneno, 20% do mercado global.

E esse veneno está chegando em sua mesa!

Riscos desconhecidos

Vários dos alimentos que consumimos podem ter ingredientes à base de transgênicos e ao contrário do que se pensa, não existem pesquisas consistentes que apontem para as conseqüências desse consumo. As pesquisas sobre os riscos têm sido marcadas por pouca transparência já que o setor é controlado por seis empresas que influenciam diretamente a comissão responsável por regular esse uso  (Monsanto, Syngenta, Dupont, Basf, Bayer e Dow). Testes de médio e longo prazo, em cobaias e em seres humanos, não são feitos, e geralmente são repudiados pelas empresas de transgênicos.

“A questão dos riscos está ficando mais evidente, pois alguns cientistas independentes resolveram enfrentar as leis que protegem as empresas de transgenia de qualquer exame de seus produtos sem sua autorização. Esses pesquisadores adotaram procedimentos cientificamente rigorosos para avaliar os riscos para a saúde, mas, sobretudo, passaram a avaliar os possíveis impactos por prazos mais longos do que aqueles usados nos testes de segurança das empresas. Nestes últimos, os prazos nunca foram superiores a três meses e, frequentemente, são ainda mais curtos. Curiosamente,  problemas como tumores, deformações de órgãos, etc. começam a aparecer a partir do quarto mes de testes”, diz Jean Marc von der Weid, dirigente da Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa (AS-PTA), organização fundadora da Campanha por um Brasil Livre de Transgênicos e Agrotóxicos.

Há esperanças!!

Bruno Follador, geógrafo, agricultor biodinâmico e cultivador de relações saudáveis entre o homem e a natureza nos trouxe uma reflexão sobre como produzimos nosso alimento, como nos alimentamos e como nos relacionarmos com esse processo imprescindível de existência. Segundo ele comer é um evento cultural e político! A escolha por uma alimentação saudável,  o incentivo à agricultura orgânica e ao cultivo natural de alimentos, o cuidado sobre o consumo são formas de aprimorar nossa compaixão e resistência amorosa à enxurrada de esgotamento natural que estamos nos assolando.

Você já é daqueles que ao entrar num supermercado repensa antes de consumir aquela renca de produtos "inofensivos" embalados em simpáticas caixas ou pacotinhos? Duvida daquele gosto e cor encrementado do suco de caixinha de uma fruta que nasce a milhares de quilômetros de distância do seu quintal? Já parou pra pensar na quantidade de antibiótico que tem no leite que você consome? Ou o que tá por trás do cuscuz, do biscoito ou do chiclete que come? Se sim, parabéns. É um árduo trabalho que parece não dar em nada, mas necessário se vc se preocupa minimamente com sua saúde. Se ainda não, comece a considerar. Aos poucos suas escolhas passam a ser, literalmente, uma questão de vida ou morte.

Mas não se desespere! Valorosas iniciativas tem surgido preocupadas com esse cenário. Desde a agricultura biodinâmica, a agroecologia, agrofloresta, hortas urbanas, feiras livres orgânicas, cestas básicas bio (entregues em domicilio!), lojas como a Biopadaria Wheat, até o crudivorismo e pessoas que vivem de luz (creia!)... um tanto de alternativas estão sendo propostas para repensar a forma como nos relacionamos com o alimento.

Se você se importa com o tema, sempre há o que fortalecer.

Se ainda não, sempre é tempo de começar!

A seguir selecionamos algumas inspirações.

Para entender os trangênicos:

Sobre agricultura orgânica:

Sobre introdução a alimentação crua e viva:

Filmes afins:

No Nosso Canal do Youtube:

Nossas convidadas neste episódio são as fundadora do movimento Põe no Rótulo, Ana Melo e Cecília Chaddad.